quarta-feira, dezembro 20, 2006

Poema em Linha Reta (Álvaro de Campos)

Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.

E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,
Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,
Indesculpavelmente sujo.
Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,
Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,
Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,
Que tenho sofrido enxovalhos e calado,
Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;
Eu, que tenho sido cômico às criadas de hotel,
Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,
Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar,
Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado
Para fora da possibilidade do soco;
Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,
Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo.

Toda a gente que eu conheço e que fala comigo
Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho,
Nunca foi senão príncipe - todos eles príncipes - na vida...

Quem me dera ouvir de alguém a voz humana
Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia;
Que contasse, não uma violência, mas uma cobardia!
Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam.
Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?
Ó principes, meus irmãos,

Arre, estou farto de semideuses!
Onde é que há gente no mundo?

Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra?

Poderão as mulheres não os terem amado,
Podem ter sido traídos - mas ridículos nunca!
E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,
Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?
Eu, que venho sido vil, literalmente vil,
Vil no sentido mesquinho e infame da vileza.

terça-feira, dezembro 12, 2006

O tal 'ambiente mental'

Isso aqui nada mais é do que uma representação do meu ambiente mental, o que se passa nele, se fede ou cheira.
Apesar de conter sua 'ala oeste', têm uns lugares lindos, lindos mesmo, assim como os sorrisos da Sofia.

segunda-feira, dezembro 11, 2006

Abrindo (e fechando) um parêntese
ref. "Muito a dizer..."

Nunca diga nunca... e sempre digo que nunca mais direi nunca, mas olha ele aí de novo. Quase sempre desrespeito o nunca. Quase nunca meu nunca é nunca. No fundo sou flexível.
Dito, mas quase sempre por mim desrespeitado, o nunca não é nada menos que o reflexo da minha raiva imediata. Talvez essa raiva não dominasse meu comportamento nessas horas H que ocasionalmente existirão, mas depois certamente se reverteria noutra raiva, a pior raiva de todas, aquela que sente-se se si. Essa raiva poderia passar, à medida que eu houvesse conquistado a maturidade necessária para aceitar a tal aproximação. Só no momento saberei.
É isso, como diria alguém aí, sinceridadti.
Blame it on the Boogie (baixe clicando no link)

Eu demorei anos e anos, até esses dias, prá saber que esse som era do Jacksons Five.

Muito bom o som, como vários outros deles, os vídeos são legais demais, pena que não achei nenhum desse som.



Vendo os vídeos você pára e pensa um pouco no lado psicológico do Michael: você vê a carinha de criança dele, o profissionalismo precoce... imagina como o pai dele era doideira, já que ensinou um instrumento para cada filho, teve a sorte do último ser um puta cantor de dançarino, colocou todos prá trampar sob o cabresto, treinou também as meninas e formou o Jacksons Sisters, que também tem seus hits.... enfim, o véio era o próprio master of puppets que projetou sua vida, sucesso e grana nos filhos que teve.

Qual poderia ser o resultado disso??

Um monstro?!

No mínimo uma pessoa psicologicamente perturbada, um cara que depois de vir a ser um dos mais famosos e ricos do mundo fez duas escolhas: nunca crescer (o que ele conseguiu por meio de um desvio psicológico) e virar uma pessoa de pele branca. Pobre Michael.

Segunda apresentação ao vivo dos Jacksons Five

Muito a dizer, nada para falar

Muito a dizer, pouco tempo, mas não custa nada sentar aqui nessa cadeira e anotar o que vier à minha cabeça.
Tenho muito tempo prá pensar, cheguei em muitas conclusões, algumas ridículas e outras ainda mais.
Uma delas é que é legal ver que não sou uma pessoa tão equivocada assim, que quando chego numa dessas conclusões ridículas, normalmente elas são reais.
Por exemplo, eu achar que a pessoa z é hipócrita apesar de se achar a fucking hype last donut. Que, algumas atitudes, de hype não tem nada, é patifaria pura, pataquadas, equívocos.
Que viagem!, mas mais viagem que isso é a viagem da pessoa z, que acha sempre que está abafando apesar de no fundo não ser mais do que uma perdida.
Por que vim falar de pessoa z, sendo que tenho muito mais coisas legais a dizer? Talvez não queira dizer coisas legais, esteja de saco cheio de só dizer coisas legais, esperar coisas legais e tudo ser uma grande merda, essa estória de pessoas, amizades e coisas do tipo. Cansa. E aí fiquei sem vontade de compartilhar o lado bom, normal.
Tudo isso é nada mais que a fina expressão do meu descontentamento interno que já externei às poucas pessoas que mantenho por perto. É um resumo leve do que senti em todos esses meses em que deixei de ser pessoa/amiga/gente/humana prá virar mãe, e apenas isso!, aos olhos dos passantes.
Agora o tesão passou, a foda foi interrompida, broxei, o vaginismo dominou. E não me procure daqui 1 ano, 2 anos, 3 ou 4 ou 5, nunca!, prá conhecer minha filha, meu mundo, meu novo eu... prá brincar com a Sofia ou trazer um presente a ela, prá vê-la aniversariando ou se formando ou casando ou tocando, lutando, dançando, enfim, qualquer coisa que dê na telha dela.
Nunca poderei perdoar quem não sabe curtir junto, quem quer compartilhar apenas a vida de merda, desabafos, tristezas, foras, desesperos mas não quer compartilhar a felicidade de conquistas, se forem alheias.
Nunca poderei entender o que me explicaram sempre, que amigos você conhece nas horas ruins. Percebi que se conhece também nas horas boas, eles somem se algo bom acontecer!! Era mais fácil que tivessem aparecido se eu tivesse sido atropelada, todo mundo adora uma boa estória dramática! Estórias felizes devem ser tristes para aqueles que não a protagonizam.
Conclusões pueris de uma recém pós adolescente no mundo real. Essa tela se desmanchou, mas quem estiver comigo pode me ajudar a desenhar outra.

quarta-feira, dezembro 06, 2006

Sessão da Tarde

Eu curto crianças, cachorros, papagaios, porcos, gatos e toda a fauna do mundo, de preferência ao vivo!, mas bem que os caras poderiam variar os temas dos filmes da Sessão da Tarde.
Esses filmes são obrigatoriamente péssimos.