quarta-feira, maio 25, 2005

(in) Fidelidade
25/05/05
01:50am

Fidelidade é um assunto muito complexo, pois a existência dela em um fator quase obriga a inexistência em outro. Como no caso entre ser fiel às pessoas ou ser fiel aos próprios sentimentos.

Quando se é fiel a si mesmo, quase sempre se é infiel aos demais. A cada momento que se respeita as sensações, os sentimentos próprios, existe a grande probabilidade de estar sendo infiel ao próximo. Não leal. E a inversão dessa situação é. Simplesmente é tão dolorida quanto a consciência dessa capacidade de provocar a dor com atitudes. A infidelidade encalacrada, despejada internamente, a falta de lealdade com a própria essência, é existência desgraçada.

E pode ser foda-se também. Sempre se dá um jeito de empurrar até que... até que? Esse nosso poder de botar para foder parece que sempre vai superar qualquer crise mais racional.

Tudo concentra-se de certa forma no sincronismo entre o desejo e a realidade. Desejar o próximo, construir com ele. Menos sado-masoquismo. Harmonia.

E é hoje, nessa noite perfumada, que encaro de frente essa verdade, me deixo ser crua, sujeita a julgamento por aqueles que se escondem até de si, que já não sabem quem são. Como podem esses achar que sou algo se nem ao menos procuram a si mesmos?

Percebo que milagrosamente, que forte!, tentadoramente minha alma se dirige ao ponto harmônico. Parece. Sinto que a cada ato de confissão desse tipo me aproximo mais de um bom exemplar de ser humano, não sei porque, talvez porque se posso ser tão sincera comigo não o posso deixar de ser com os demais.

Fica o porém de que no fundo eu sempre serei uma sonhadora. Posso achar conhecer as duras verdades mas sempre desejarei outras mais brilhantes, e as sonharei e as farei minhas realidades. Isso é harmônico mas com certeza em outra afinação. A harmonia mais simpática aos ouvidos certamente seria desejar o que se quer e querer aquilo que se deseja. Sempre isso. Intensamente.

02:35
entre fumaças e o novo do fantômas.