segunda-feira, fevereiro 28, 2005

Caralho. Eu estou bem louca.

E nem toda a força de todo o pensamento de todos os invejosos e por que não dizer "filhos da puta"?, vai mudar essa sensação. Pelo menos nesse momento.

Eu ainda sou jovem o suficiente para me arriscar sem grandes medos e me indignar com essa 'falta do que fazer' alheia à minha pessoa. É aquele velho clichê filhadaputamente correto de que o mundo não anda porque ninguém se preocupa realmente com a própria vida.

Parece (mos) ter que viver por osmose um pouco da vida do outro, aquele modo de "vivir" que temeu, não pôde ou não se conseguiu ter.

O tempo é desperdiçado, quando não cobiçando, fodendo o que não se conhece ou o que já não é possível ser. As pessoas têm o dom de simplesmente não gostar de algumas coisas, simplesmente por não querer gostar.

E eu jamais vou poder esquecer (será mesmo que não?) aquela cara de pássaro, piando agudamente pela janela. Aquele pássaro humano, uma gralha maléfica, falante.

Ela queria que a gente se fodesse, a gralha, queria que a polícia nos levasse e nos punisse pela felicidade que possuíamos no momento. Além da ponta, óbvio.

domingo, fevereiro 20, 2005

13-14/02/05 02:?-02:54

Não ando muito a fim de escrever mas mais uma vez me sinto na obrigação (pessoal) de registrar o fato.

Eu ia escrever uma coisa, mas vou até voltar atrás, vou guardar esse segredo.

Eu ia fumar (note-se, eu estava no estado considerado normal) e debrucei-me na janela como de praxe, mas ao invés de observar a rua parada, uma das avenidas mais movimentadas da cidade (por que não dizer do país? porque não, foda-se!) em estado de apatia na madrugada de domingo para segunda, o céu me chamou a atenção (mais uma vez, como sempre) por causa do estrelado um pouco superior ao usual.

As pessoas que moram em cidades menores, ou mais altas, ou menos iluminadas, e ainda, menos poluídas, ririam do que eu consideraria estrelado.

O que eu observava era uma visualização de um número parco de estrelas (mas nem por isso "contáveis"), com Vênus resplandecendo fortemente à esquerda da minha captação ocular.

Podia observar outras estrelas mais visíveis, maiores, mais brilhantes e as de sempre, azuizinhas, pequenininhas, pontinhos poderosos. Além disso podia ver o que eu chamo pessoalmente de 'pó de estrelas', que é quando se vê a profusão de pequenos pontos e fica meio esbranquiçado em cima do fundo azul, como se fosse uma estrela em pó, estilhaçada, brilhando menos agudamente e abrangendo um espaço maior.

A minha experiência mais exuberante com o céu e as estrelas foi uma noite fria em Campos do Jordão, no alto da serra e longe da poluição (se soubessem que digitei 'serra' com a letra 's' maiúscula talvez rissem de mim), quando vi e defini a porra do 'pó de estrelas'. Eu vi as estrelas mais visíveis, as 'de sempre' e vi também um monte, monte, monte, meu deus, aquilo era espetacular!, de estrelas distantes e aparentemente próximas uma das outras, o céu, assim, todo pontilhado em prateado, os pontos grandes, os pequenos, os pequenos que me enlouqueceram! o pó de estrelas que me enlouqueceu!, brilhando e preenchendo o azul e fazendo ele ficar tão mais inexplicável, tão mais lindo, que eu podia ficar olhando lá para cima para sempre, eu me apaixonei! aahnn... e foi isso que eu senti, e como só vemos o que sentimos sobre foi isso que vi, e essa é a melhor descrição que posso fazer do sentimento e do céu daquele dia, há... ?quem sabe, quase 10 anos?

Então, contei tudo isso para registrar outro momento que já passou e que como um sentimento sempre será impossível compartilha-lo de forma real, mas que me fez sentar aqui para escrever.

Sendo levada pelas lembranças ou extraindo da lembrança a força que nos faz viver o momento em questão, cada próximo momento em questão e até o fim, vi acima da minha cabeça uma coisa (acredito que todo o universo esteja acima da minha cabeça mesmo o que vejo aparentemente 'de frente', mas sob a perspectiva ocular do 'mirar por la ventana' eu vi a coisa apenas inclinando a cabeça para trás, bem no nível do meu olhar). Caralho, o que eu vi?

Agora é a parte em que o bicho pega na parte essencial interna, que no meu caso é a ânsia por deixar de ignorar. Pode parecer bobo, mas se fosse com outra pessoa, e ela tivesse o hábito de escrever, também registraria.

Eu vi uma coisa, como posso descrever a coisa? Pense em algo espacial, não naves, (hoje a história é menos clichê) mas pedaços de coisas voando pelo espaço, cruzando, matéria simplesmente ou o que quer que seja.

Fazendo um paralelo: parecia um fogo de artifício com a 'cabeça acesa' e o 'rabo de fogo', só que ao invés de chegar ao clímax e explodir e partículas, ele simplesmente apagasse, implodisse, desaparecesse. Por uns momentos meus nervos oculares registraram um rastro, curto. E imagine que esse fogo de artifício atravessasse de lado e muito acima do possível, uma pequena extensão do 'para meus olhos infinito céu'.

E foi isso, buuuu, grande coisa! Mas, meu, o que era aquilo? Se tivesse alguém do meu lado e eu gritasse, cutucasse, talvez ela não conseguisse ver a tempo! Isso fez ser tão foda, tão particular, o fato de ter sido na hora exata em que eu levantei a cabeça que a coisa apareceu e por ter sido tão fugaz sua aparição a ponto de provavelmente não conseguir nem compatilhar o evento se o quisesse fazer. Tive que escrever. Afinal, comigo acontece de tudo.

E como eu não poderia deixar de lado, vou contar também o 'momento humano instintivo': a crendisse de que essas coisas podem querer dizer algo, e mais o 'momento humano vulgar', aquele em que arrisquei-me a um pedido, nada mais do que algo que eu já mentalizo com frequencia e acredito que para sempre vou mentalizar. Fiz. Que a vida me deixe conservar esse traço.

E agora voltarei ao meu 'encalacrado mundo momentâneo' e ler.