6-7
12
04
2:... - 3:04am
Inenarrável
Toda noite eu penso que amanhã não farei várias coisas e todo dia eu as repito. Boas e ruins.
Uma ruim: não consigo mudar algumas coisas. Eu mudei várias, continuo mudando muitas outras, mas algumas mudanças são desesperadoras por serem exasperadamente urgentes, e por isso são difíceis: porque a pressa gera a tensão e algumas tensões não funcionam de modo benéfico em contato com meu psicológico. Deixam-me num estado simplesmente inenarrável. Ou talvez rotule assim por não querer pensar neles a fundo, ou querer fugir mentalmente do assunto por ter me sentido assim diariamente (neste estado 'inenarrável') e de alguma forma ter me odiado em todas essas ocasiões.
Mas passa rápido. Essa sensação tem a duração de poucas horas no meu dia e depois passa, chega ao estado de agora, contemplativo e crítico, e quando eu acordar o dia vai acontecer todo de novo e em alguma hora eu sei que vou me odiar.
E a noite vai chegar e eu escreveria tudo isso de novo. De alguma forma parece que eu perderei algumas batalhas, isso me deixa indignada, mas parece que terei que aceitar isso. Não sei, eu sinto.
Nesse momento eu quero lutar para mudar o amanhã, mas o amanhã começa diferente, começa criança de novo, para ficar adulto à medida que anoitece.
Por mais que eu decida comigo agora, na madrugada, sou como o parceiro de promessas vazias que promete no calor da noite, no encontro profundo com o 'outro', para esquecer no dia seguinte, vulgarizar a idéia, que não executada, não sentida, torna-se chacota.
E essa relação é interna, entre um eu mais apaixonado pela verdade e um outro que talvez finja que se apaixona por ela mas é egoísta e só pensa em si.
E na hora que o eu mais infantil assume, eu sinto a raiva do 'eu mais apaixonado pela verdade' sobre mim mesma. E é horrível, dá praticamente um 'embrulho', eu sinto quase ódio, eu sinto muita raiva. Mas nesse momento de extremo controle sobre o eu infantil não sinto ódio por ele, só penso em me empenhar para fazê-lo não se manifestar jamais.
Crescer é uma luta. Responsa, menina!
Caralho, nada é inenarrável...
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Inenarrável
Toda noite eu penso que amanhã não farei várias coisas e todo dia eu as repito. Boas e ruins.
Uma ruim: não consigo mudar algumas coisas. Eu mudei várias, continuo mudando muitas outras, mas algumas mudanças são desesperadoras por serem exasperadamente urgentes, e por isso são difíceis: porque a pressa gera a tensão e algumas tensões não funcionam de modo benéfico em contato com meu psicológico. Deixam-me num estado simplesmente inenarrável. Ou talvez rotule assim por não querer pensar neles a fundo, ou querer fugir mentalmente do assunto por ter me sentido assim diariamente (neste estado 'inenarrável') e de alguma forma ter me odiado em todas essas ocasiões.
Mas passa rápido. Essa sensação tem a duração de poucas horas no meu dia e depois passa, chega ao estado de agora, contemplativo e crítico, e quando eu acordar o dia vai acontecer todo de novo e em alguma hora eu sei que vou me odiar.
E a noite vai chegar e eu escreveria tudo isso de novo. De alguma forma parece que eu perderei algumas batalhas, isso me deixa indignada, mas parece que terei que aceitar isso. Não sei, eu sinto.
Nesse momento eu quero lutar para mudar o amanhã, mas o amanhã começa diferente, começa criança de novo, para ficar adulto à medida que anoitece.
Por mais que eu decida comigo agora, na madrugada, sou como o parceiro de promessas vazias que promete no calor da noite, no encontro profundo com o 'outro', para esquecer no dia seguinte, vulgarizar a idéia, que não executada, não sentida, torna-se chacota.
E essa relação é interna, entre um eu mais apaixonado pela verdade e um outro que talvez finja que se apaixona por ela mas é egoísta e só pensa em si.
E na hora que o eu mais infantil assume, eu sinto a raiva do 'eu mais apaixonado pela verdade' sobre mim mesma. E é horrível, dá praticamente um 'embrulho', eu sinto quase ódio, eu sinto muita raiva. Mas nesse momento de extremo controle sobre o eu infantil não sinto ódio por ele, só penso em me empenhar para fazê-lo não se manifestar jamais.
Crescer é uma luta. Responsa, menina!
Caralho, nada é inenarrável...

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