quinta-feira, julho 29, 2004

21 ou 22/07/04 (ou algum dia dessa semana)
22:18 - 03:??
I - S. Joaquim - Bresser (metrô+rua)
II, III, IV, V - Grupo Catho
brisa, influência das bics, eu mesma

*

I

O mundo é meu. Essa é a sensação que a loucura hoje me proporciona, a minha loucura, já minha. Aperto os lábios nos quais descuidadosamente apliquei a esponja embebida em batom, inclusive sob o brinco.
Sonho. Me sinto bela e sábia. Minha própria mestra. O mundo é tão grande e é tão meu, e às vezes eu sou tão grande...!
O trem se movimenta e eu me ponho a observar. As pessoas... as cores sóbrias. Sombrias como o frio. Frias como o frio. Quase úmidas em suas tristezas. Esperançosas, alertas, buscando algo, como eu... talvez um olhar...
Vou mais longe do que pensei, além do que sei, mas com um gosto pelo risco, pelos seres ariscos, pelos sentimentos ricos. Não sei o que vou encontrar. Só sei que a todo momento posso voltar e achar...
As luzes, a rampa, o rosa. Bog*? O canto, chamando?
Num momento íntimo: e ela, que sumiu? A Santa no outdoor da estação... tão bela era ela, e perfeita. E Virgínia!
Incenso. Churrasco. Escuro. As nuvens. Você. E eu, logicamente. Tudo se mistura e talvez esse seja o sentido.
Momentos que diferem, coisas que não casam...
Psiu. A aparentemente 'solidão silenciosa' da madrugada é gostosa e fala. Você não pode ouvir com os ouvidos... sabe, é você e você... é quando está realmente acompanhado, se não tem a mim...
Controle, controle, controle. Não quero mais ouvir falar, apesar de estar em todo lugar, e ser obrigada a escutar!, das conversas de outrem.
Estou a tudo observar, sem nada deixar escapar e quem sabe encontrar mais uma dica que me leve... talvez à você.
Se deliro não sei, mas me inspiro no que possa haver. Quem sabe, um dia, entre mim e você.
Ah, como eu piro e giro em volta do meu ser, que quer ser tão humano quanto se pode ser. Se eu choro é porque um dia arrisquei e ganhei e depois perdi, mas ganhei porque vivi. E mais quero viver e chorar e arriscar. E amar. O que é isso? Não sei mais, quero esquecer e aprender de novo, reconhecer. Nunca mais limitar e deixar ser maior do que imaginei, vivi, delirei ou sonhei.
Pedras e mais pedras. Merda e mais merda. Eu piso e sigo e lavo, não desisto, insisto, ah, como adoro isso!
E enquanto olhos me analisam curiosamente, cuidadosamente, eu passo como se nada visse ou temesse e isso porque o mundo é meu.Quando estou do lado de fora, sob o céu nu azul, o mundo é meu. Ainda mais quando as nuvens são vermelhas.


II

Hoje, mais que nunca, sinto que cresci. Quando não sigo determinados instintos, sei que cresci. E também quando sigo outros.
A minha jovialidade explode e eu quero rejuvenescer o mundo também, no sentido em que isso traz mais espontaneidade e me faz pura, ou inconsciente, por um instante.
Quero dedicar um algo há muito estocado, quando não desperdiçado.
Sei que me excedo, excedo, mas não cedo na vontade de exceder.Quero mudar meu mundo, oh! e com você!
O romantismo adolescente me toma, não quero mais que uma voz e um olhar confortáveis. Quero um momento empolgante, um papo excitante, algo reconfortante. Uma palavra marcante, um elogio galante... que não esteja distante!
Ah, inexplicável... por enquanto não preciso de mais.
Salteando, contrabandeando sentimentos, estes que transporto na surdina para não causar alvoroço. Depois os troco no mercado oculto, com outros traficantes, que como eu se escondem. E nem sempre a troca é justa...
Não quero contrabandear, nem tornar difícil.
Eu quero algo e sei o que quero. E é um tipo de emoção. Isso de agora. Mas um pouco mais. O depois... só depois.
Coincidências... existem... e me trazem até esse momento, cheia de pistas, e louca para segui-las.
Pode parecer sem sentido, mas só em mim as peças podem se encaixar, fui eu quem as criei, transformei em fragmentos, peças!! Ah, não me peças que explique todo o processo, pois há pressa em avançar, algo mais ocorrerá, promessa.
Quero penetrar em outra esfera, agora que já me domino um pouco mais, fera, e conhecer outras terras, outras guerras, internas.


III

Uma coisa menos materna, sem desejo de ser eterna. Densa e não tensa. Coincidentemente, imensa.
E é só andar na direção! Ah, meu coração! Se esbalda ao vislumbre de emoção, de paixão... e a razão? Esqueço-a propositalmente.
Foda-se, me dê a mão e mesmo com esse jargão atenda minha solicitação e vamos trocar nosso material contrabandeado.


IV

Ah, que viagem gostosa de ilusão. O que ainda não aconteceu é ilusão? Ou só o que jamais ocorrerá? E o que jamais ocorrerá?? A viagem é de espera ou ilusão? O que eu penso sobre, definirá o que virá a ser? Oh, mente poderosa, oh! cor de rosa, mente borbulha, o corpo sacode e lá...


V

... se foi o que havia de errado comigo. Estou pronta. Tonta mas pronta e sabendo o que quero.
O que quero é dar um berro, e agora, nesse instante!! Talvez cerrar minhas pálpebras e rumar em direção ao sonho real, um sonho bom. Mas eu quero berrar que há muito algo não me bota nesse estado.
Berro mentalmente e lá vou eu procurar por mais uma pista ... ou você.

* Bog - referência ao livro Laranja Mecânica (The Clockwork Orange)