quarta-feira, abril 14, 2004

30-31/03/04 - terça/quarta

Engraçado.
Eu lendo um livro rotulado como de "auto ajuda".
Me faz pensar nesse fato em específico, além dos 'toques' do livro.
Aceitei-o por indicação... o tema são as 'carícias'.
E as básicas perguntas: "em que acredita? Em que? E no amor?"

E toda single vez que deixo que essa pergunta passe de retórica para exploratória me deparo com a primeira resposta básica, que se contestada, mostra o quanto é absurda.

Lá vamos nós por uma porta que eu não queria, mas precisava abrir.

É como se fosse de um cômodo escuro, extremamente desorganizado, cheio de teias e lembranças de um passado caro. Tem tantos objetos que eu não queria olhar...!, belos ou de extremo mau gosto, alguns intactos, outros verdadeiramente arruinados...

A fechadura parece quebrada, ou melhor, é como se houvesse uma chave quebrada dentro dela.

Há dias tento abri-la, mas parecia-me impossível. Será hoje?
???????

*Nhéééé.... (onomatopéia de um abrir de porta não lubrificada...)

- Entre comigo, por favor? Tenho medo de entrar só. Olhe bem pra o ambiente e me explique, relate-me o que há dentro dele, pois além da escuridão dentro deste quarto, há a névoa em meus olhos que me impede de identificar o que realmente me resta de dentro desse lugar. O que você vê?

- Vejo cacos.

- Mas como são? Muitos, poucos, grandes ou pequenos... quantos?!?!

- Está escuro mesmo. Não há como dizer-lhe exatamente, não há como contá-los todos sem segurá-los e isso poderia cortar minhas mãos... e não fui eu quem quebrei...

- Quebram sozinhos!

- Todos?

- ...

- Mentira...

- Mentira?! (pausa) É... verdade... apenas alguns foram quebrados por nós, conscientemente...

- Menos mal, mas e os outros?

- Se fomos nós, garanto-lhe que nem percebemos no momento em que isso ocorreu...

- Ah!, mas não retira então a responsabilidade do fato de que possam estar envolvidos na maioria das quebras?

- ...É, é... não.

- Estou gostando de extorquir sua sinceridade...

- Se você vê assim... extorquir... eu vejo como um jogo meu para saber o quanto você realmente pode estar interessado em me dizer o que há aqui dentro.

- Jogando? Comigo? Pede minha ajuda e...

- (interrompendo) Preciso saber se você realmente vai me ajudar, só isso.

- Putz, mas que merda. Não precisa desses artifícios comigo.

- Desculpe, mas eu preciso. Você já se enganou antes, mesmo quando este quarto era iluminado.

- Não dá para acertar sempre.