13/03/03 - 17:00
Posso ser idiota? (Quem pensou "mais?", um dedo médio bem na cara, féla) Não sei se exatamente idiota, mas digamos assim, aahnn, um tanto clichê, justamente como a palavra "clichê"?
Eu odeio carnaval. Odeio "alalaôs". Odeio. Definitivamente.
Quando eu era bem menor, pulei carnaval nuns clubes do interior com meus primos. Era divertido, confetes, serpentinas, brincar. Foda-se o carnaval em si. "É um dia para pular, beleza". Criança pode zoar para caralho sem ser taxada de "ridícula".
Lembro que sempre achei as marchinhas idiotas. Muita gente vai ter um treco ao ler isso, mas é verdade. Humor d'A Praça é nossa.
Em um desses carnavais infantis, minha mãe fez uma fantasia para mim, toda cor de rosa, muito bonita, muito bem feita. Eu me lembro. Aliás, tenho a fantasia até hoje e não entra nem como se fosse uma blusa. Já fiquei presa nela alguma vezes vestindo-a por brincadeira. Coisa de ocioso, idéias estúpidas.
Muito legal a piração da minha mãe de fazer minha fantasia. Imagina, uma mãe de uns trinta e poucos anos, em casa, sozinha com a filha, que deve se distrair muitos minutos com os brinquedos. "O que vou fazer hoje? Ou o que posso começar a fazer?" e escolher... uma fantasia de carnaval. Mamãe queria que eu me divertisse, pensou em mim, fez com carinho. Te amo, mãe.
Depois, adolescente, nunca, mas nunca fui num baile de carnaval, desses que a galera vai para rodar a banca e contar no dia seguinte que beijou não sei quantas pessoas, acéfalas ou não, com ou sem nome, às vezes sem rosto, a boca, suja, as bocas, sujas, doentes. Os hálitos quentes, doces, alcóolicos, fedidos, queimados. Qualquer um. "Por favor, ao menos um!" O desmerecer a própria carne ou socialismo sexual.
E hoje? Hoje em dia, quando a cada dia me afasto ainda mais desses consensos gerais? Fazer o que no carnaval? Quando eu era menor, eram as marchinhas e aquelas merdas de "samba enredo" de escola de samba, e hoje, além disso eu tenho que aturar um monte de rabos e peitos na minha televisão, que para falar a verdade, foda-se também, raramente vale a pena ligar. Vi uma entrevista esses tempos, acho que era um canavalesco criticando a cobertura do carnaval, onde as emissoras de televisão só exibem as gostosas do Brasil e os cus de quem quiser mostrar e não filmam as pessoas responsáveis pela realização do evento, pessoas com real comprometimento com o lance "tradicional" do nosso país. Não mostram as belas mulheres negras, maravilhosas e pobres. Caralho, foda-se o carnaval, mas concordei com ele. Já que não vai deixar de existir, e mesmo que deixasse não poderíamos simplesmente fingir que não existiu, pelo menos que dêem os créditos a quem merece, e foquem realmente no tal sentido real do carnaval.
Viajar? Eu com esse sangue quente, viajar? Não. Não rola. Sem viagens em feriados, de preferência. O stress que eu passo dentro do carro ou bumbas para chegar no local que quero já consome 50% do tesão da viagem. Não vou aproveitar tanto quando estiver lá. E quando voltar, lá se vai os outros 50 por cento, e não vou ter nem vontade de lembrar de tal empreendimento.
O melhor é ficar aqui, na cidade onde eu nasci mesmo, já que as outras pessoas que têm o pavio menos curto que o meu, viajam. Aí é legal andar na rua, menos barulho, menos carros, menos pessoas. Você e um pouco de calma num lugar onde parece impossível obtê-la. Dá vontade de andar de skate, aproveitar o asfalto normalmente ocupado pelos "motorizados invejosos das rodinhas com esforço físico acoplado".
Porque isso existe. Juro que existe. Visualize. Rua vazia. Madrugada. Milhares de faixas livres para os carros. Em que faixa eles querem passar????? Nem precisaria responder se eu não quisesse dar continuidade ao texto. Mas é sempre em cima da faixa onde você está. Parece que está com inveja porque não sabe andar, porque não pode, porque está com vontade, porque não têm condições físicas. E quer te assustar, te colocar em perigo por causa disso. Um absurdo. Jogam mesmo seus carros em cima, e por mais que não bata diretamente, pode te desconcentrar e provocar uma queda, e se você for um daqueles azarados, pode cair logo em frente ao carro, que sem tempo para frear, passa por cima do corpo atordoado. Loucura. Como se já não fosse o suficiente a quantidade de merdas que acontecem sem o auxílio de ninguém...
Bem, sei lá. Nem andei de skate. Nem lembro direito o que eu fiz. Passei o carnaval sussa. Foda-se. Sem cicatrizes, sem ressentimentos, sem envolvimentos. Comecei a ficar com cólicas na quarta-feira de cinzas, e depois passei um fim de semana, digamos, dolorido, merecendo até socos na barriga, afinal uma dor distrai a outra. E foi isso: celebrei as mulheres do mundo deitada na cama, menstruada, morrendo de dores. É isso aí mulheres, é foda, mas a gente aguenta. Celebrei mesmo sendo o "dia das mulheres" uma idiotice, aquela história de que parece então que os outros 364 são dos homens. Eu afirmo aqui que a nós também pertecem esses outros 364, mas já que quiseram tirar um dos dias para "pagar um pau" para nós, firmeza, truta.